domingo, 5 de dezembro de 2010

Tarde fria

Meu amor, a tarde traz um mundo que eu conheço
De onde vem esta vontade de você na tarde fria
E tantos são os instantes que na tarde reconheço
O teu corpo, o teu cheiro, envoltos em pura poesia

E na ternura da tarde vem a vaga do desejo infindo
O gosto intenso do teu denguinho quente e gostoso
O beijo tardio e lento que na minha boca vai surgindo
Esta saudade calma da onde nascem o sonho e o gozo

Na meninice inocente que é todo o teu jeitinho
Eu sonho teus lábios a me beijarem devagarinho
No frio intenso que se ajeitou com a madrugada

Tu te fizestes amante, a minha eterna namorada
Tu és a minha amada, o meu sossego, a minha dor
Quando tu te vais eu sei que vou morrer de amor

Ao meu amor

Amor, eu acho você uma gracinha
E nestes olhos azuis
Vem dormir uma estrelinha

Amô, eu acho você tão bonita
E se o meu coração faz tum, tum
Por você todo o meu corpo palpita

Amozinho, eu acho você um encanto
E diante da sua beleza
Eu solto a voz, rio e canto

Denguinho, eu acho você uma gatinha
E no meu Miss Universo
Você já ganhou, coisa minha

Paixão, eu acho você tão linda
E com estas covinhas de riso
Eu acho você mais linda ainda

Mozinho, eu acho você tão bela
E como uma flor tu encantas
Tens a tua beleza singela

Amozinho, presta atenção
A flor não sabe que é bela
Amor, você sendo uma flor
Há de sentir como ela

Palavras

Busco encontrar as palavras que faltam em ti
As palavras que os teus lábios ainda não conhecem
As palavras transparentes, as que enternecem
As palavras que digam do meu amor, silente em si

As palavras encantadas soando na rua aonde passo
Reverberando a linguagem dos signos e dos astros
Têm som de luas nuas dançando de pés descalços
As palavras que anseiam por anjos, por lábios castos

Quando as palavras meigas, puras, ternas de carinho
Quando as palavras sendo um sol, a luz da madrugada 
Quando as palavras declamadas em cores múltiplas de uma flor

Me encontrarem em silêncio e me reconhecerem no caminho
Entregando ao sonho as palavras que me dizem de ti amada
Eu ouvirei das estrelas as palavras que faltam em ti, amor

Não sei

Eu já não sei mais que amor é este
Já não sei mais aonde começa o dia
Onde a noite dorme sob as estrelas
E se encanta...
E sob a luz das estrelas este é seu dia
Não sei das flores o perfume que elas têm
Nem sei mais como é sentir saudade
A saudade tornou-se o instante passado
No presente
A saudade anda ao meu lado
Anda junto a tua ausência
Não sei mais o que é pecado
Teu corpo juntou-se ao meu
E o perdão que a cruz me deu
Tem o meu pranto guardado
Já não sei como dizer
De tantas formas já disse
Que este amor que é só teu
É o amor que foi guardado
Desde a minha meninice
Não sei dos teus olhos quando me olham
e vão embora sem que os veja
Não sei das minhas mãos quando enlaçam as tuas
e caminhamos nas ruas
eu de ti enamorado
num sonho
sem
fim
ornado
Não sei das estradas que sigo
quando vou buscar estrelas
para te dar em segredo
e depois brincar contigo
Já não sei mais o que é perigo
Já não sei o que é o medo
das sombras que a noite traz
Não sei das horas, do tempo,
Já nem sei o que ele faz
Não sei mais o que é distância
Tudo em mim mora tão longe
O amor, o sonho, o riso
Tão longe mora tudo que eu preciso

o ar
a água
o mar
os teus olhos

a flor
o sim
o amor
o teu corpo

a lua
a noite
a rua
o teu beijo

o abraço
a mão
o dedo
o teu toque

o som
o silêncio
o segredo
A tua boca

o sol
a luz
o céu
em chamas
acendendo a luz da vela

o carinho
o fim
você
Meu amor!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Noites sem mistério

Antes que teus olhos durmam numa noite sem mistério
Antes que eles durmam sem achar a minha casa
Antes que dormitem sob o anjo e a sua asa
Deixai-os percorrerem por estes oceanos
Onde eles descem e ao mar se casam
Onde o céu encosta por um triz
Deixai eu olhar teus olhos
Na noite sem mistério
Para que eu
Durma
Feliz

Vício

Tuas mãos emaranhadas entre as minhas
Segredando o teu desejo ao pé do meu
Em palavras nuas e versos já despidos
Meu corpo e gestos respirando o corpo teu

O beijo longo, carícia lenta em teus mamilos
Roçando a penumbra da tua pele alva
Onde guardei a fúria dos meus silêncios
A escutarem o que o teu corpo nu falava

Teu ventre pressupondo mais carinhos
No teu púbis a minha lingua escorrega
As tuas coxas pedindo a minha boca
No teu delicioso momento de entrega

A minha sede eu bebo longamente 
No vão das tuas pernas entreabertas
Teu sexo, chama molhada, rio perene
Aos meus lábios seu pistilo se aperta

Teu cheiro fica inteiro em minha pele
O doce acre da tua flor em eclosão
É o gosto que lateja em minha língua
Dizendo amores da mais pura floração

E ao te amar teu corpo soa como um vício
Os teus contornos à luz da vela são fissura
Bebo o teu cheiro, beijo tua boca e tua saliva
E o teu prazer encharca o meu com tua candura


São teus sabores que guardo em minha boca
É o suor da tua pele a guiar-me em teus caminhos
É a tua voz rogando pecados aos meus ouvidos
São teus licores a misturarem-se aos meus vinhos

A tristeza sou eu

Triste é o amor que tem de ir embora
Pela vida a fora só vivendo o adeus
Triste, esta melancolia
Que pôs a saudade nos meus olhos
Onde, agora, morrem os meus dias
Morre um céu dentro do peito
Choram estrelas luzidias
Chora a precária ilusão
De que no tempo desfeito
Possa ainda haver um jeito
De não voltar pra solidão
De escapar deste degredo
Da voz engolir o medo
Dos olhos fugirem da escuridão
Solidão, por que me queres assim,
Só para ti?
Porque não podes me ver amar?
Como se no amor que se desfaz
Eu não encontrasse a paz
Não encontrasse meu riso
Não encontrasse a alegria
Encontrasse só este sentimento impreciso
Que agora encobre meu canto
Que agora esconde a minha face
Só deixando ver o meu pranto
E tu, solidão, sina ingrata,
Julgando o meu amor falso
Tiras de mim este amor
Levas o sonho que é meu
Sem se preocupar com a tristeza
Sem atentar que a tristeza...
...Que a tristeza sou eu