terça-feira, 1 de março de 2011

Pra onde vou?

Pra onde vou se agora a vida me trouxe você
E nossos momentos são sonhos que em mim se realizam?
Pra onde vou se te esperar tornou-se a inteira poesia
E os meus beijos aninham-se no teu corpo
Como os versos aninham-se nos poemas?
Pra onde vou se agora tua mão tocou a minha
E os teus dedos, trançados aos meus, disseram tanto amor?
Pra onde vou se agora o dia acorda e dorme em você
E nas minhas noites o perfume do teu corpo embebe a minha imaginação?
Pra onde vou agora que os meus lábios tocaram os teus
E a sede nas nossas bocas molha a lembrança dos nossos dias e das nossas noites?
Pra onde vou se a tua ausência é tudo que tenho depois do amor
E na minha pele o teu gosto fica como o desejo ainda latente?
Pra onde vou se agora quando apago a luz é o seu toque que sinto na penumbra que me encobre?
Pra onde vou se agora quando o silêncio adormece é a tua voz que ouço?
Pra onde vou se agora meus caminhos, tão distantes, esqueceram os próprios passos?
Pra onde vou se agora tudo que sinto é você
Tudo que sonho é você
Tudo que quero é você
Tudo que amo é você
E tudo que tenho é saudade?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

E foi assim

Todos os dias quando eu acordava
Meu pensamento era teu. E foi assim,
Por dias e dias quando eu te sonhava
Sem que tu imaginasses a mim

Todas as noites em que te desejava
Meu sentimento era teu. E foi assim,
Por noites e noites em que eu te amava
Sem que tu soubesses de mim

Todos os dias e noites em que te buscava
Meu momento era teu. E foi assim,
Por dias e noites em que te procurava
Sem que tu viesses pra mim

No primeiro dia em que não te pensei
O grito calou meu coração. E foi assim,
Por um dia em que não te imaginei
Minha alma professa solidão sem fim

Aragem

Há um silêncio entre nós, algo profundo
Que os meus lábios aprenderam a não dizer
Há um segredo nos lírios brancos a pender
De anáguas de estrelas, de beirais do mundo

Há um cismar das ilusões e sonhos distraídos
Que na aragem da tarde em fumos se desfaz
Espargindo aos ventos os sonhos esquecidos
Que a minha alma doidamente colhe e traz

Traz momentos onde nosso amor era candura
Onde a minha boca nos teus beijos se embebia
Sorvendo nos teus lábios o veneno e a loucura

Dos ledos carinhos que em nosso amor havia
Hoje há um silencio entre nós, há um reclamo
E quanto mais eu calo mais eu digo que te amo

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sentido

Saudade que veio assim, de repente
Saudade sem pé nem cabeça.
Saudade, sentimento guardado
Todo trajado de amores
É o sentido doído
Vivo nas pétalas das flores
Gotejando na alma da gente
Saudade que entrou assim, sorrateira
Saudade sem entendimento
Saudade, este momento parado
Todo trajado de dores
É o sentido vazio
Vivo no aroma das flores
Murmurando pela noite inteira

Saudade que chegou assim, escondida
Saudade sem compreensão
Saudade, este silêncio calado
Todo trajado de olores
É o sentido humano
Vivo na solidão das flores
Revelando a solidão da vida

Despedida

Eu queria você ao meu lado
Eu me queria enamorado
Dos teus olhos, do teu corpo
Das tuas mãos, claro escopo
Das tuas covinhas, sorrindo
Da mulher que és, sonho infindo
A mulher para quem tudo é amor

Não queria mais você indo embora
Fica comigo ao longo do longo agora
Fica aqui sem momento
Cala! Ouve o teu sentimento
Vê o que ele diz ao futuro
Ele não mente, eu te juro

O amor emudeceu com a tarde morena
Beijou os lábios da noite pequena
Entre segredos suados
Fez de nós dois namorados
Pleno de amor sorri o riso de agora
Sem atinar que a dor não tem hora

A dor vem com o escuro
E até o sentimento mais puro
Em ruas desertas vagueia
Vagueia em noites, anseia
Como um errante sem rumo
Errando a vida sem prumo

Ao longe vê-se a separação
Nos braços da emoção
A face guardando o choro
Uma lágrima lhe fazendo coro
Que há de rolar de mansinho
Quando a solidão for meu ninho

Amor, nas noites alvas de luar
Venho aos caminhos buscar
Nosso desejo inscrito na lua
Meus passos perdidos na rua
Meu amor, este sentir tão aflito
Oculta o espasmo do grito

O grito brada ao ar
-Tu não quisestes amar?
Pois todo este amor que te invade
Em breve será só saudade
Pois já se ouve lá fora
O momento de ir embora

E tão verdes são os amores
Tão amargo os seus sabores
Na hora da despedida
Que o travo que fica na vida
Percebe-se nos lábios teus
Quando me beijas, adeus!

Eu nunca vou te esquecer

Podia simplesmente pegar tua mão
E nossos dedos trançados
Diriam que o meu amor é você

Podia te olhar nos olhos
E meu olhar encantado
Diria que o meu amor é você

Podia te dar um abraço
E nossos corpos unidos
Diriam que o meu amor é você

Podia somente te dar um beijo
E nosso lábios selados
Diriam que o meu amor é você

Podia te perder de vista
E o meu sentimento incontido
Diria que eu nunca vou te esquecer

A voz do vento

Amo
Amo você
Amo você demais
E todas as outras palavras
São velhas, vazias ou são banais
Quando o meu coração, raso de amor,
Sopra teus cabelos pelos trigais
Ouvindo o vento dizendo
Amo
Amo você
Amo você demais