terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Saudade

Porque dizer desta distância
Se a distância é só saudade
Se há entre nós tantos céus
E tantos rios e tantos mares
Se a saudade de quem falo
É a mesma em todos os lugares
É a mesma que espera ali adiante
Fazendo do longe o mais distante
Apertando o passo pelo céu a fora
Encobrindo as noites com um véu escuro
Fazendo do hoje um tempo antigo
E do passado um tempo que não vai embora

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ausência

Na manhã que te levou
Na tarde que não se cala
No beijo que não te esquece
No abraço que ainda aquece
Na noite que te esperou
Na cama onde agora dorme o frio
Na tua ausência doída
Num quarto vago e vazio 
Minha saudade deita seu corpo
Junto ao teu corpo macio

Eu já nem sei

Amor, eu já nem sei
Como te dar de longe o meu carinho
Se no aroma de uma flor
Que passa e vai devagarinho
Transformando em perfume
A terra, a vida, o teu caminho

Ou no olhar de uma estrela cintilante
Que aos meus olhos lá no céu é um pontinho
A brilhar ornando em luz o firmamento
Iluminando a estrada onde Deus anda sozinho
Criando flores, hermeneutas, passarinhos
Criando estrelas só pra eu te dar o meu carinho

O meu carinho, meu grande amor, amada minha
Pode ir na voz do vento, no canto do passarinho
Na luz da lua numa noite a brincar com a madrugada
No dia em chamas onde o sol é um borrãozinho
Na poesia do teu sonho quando a tua alma sente
A minha alma beijar a tua lentamente... eis o carinho

Teu amor em mim

Amor,
Entrastes em minha vida
Quando os meus dias se esqueciam
Em noites vazias
Em sonhos perdidos
Em tempos ancestrais
Nada, nada se dizia
Das fugas do meu coração
Da sozinha fantasia
Da vida adormecida
No colo da solidão
Então, um beijo na tua mão
Meus olhos postos no chão
Como quem deve ao pecado
Te cativou não sei como
E o amor foi se fazendo
Nos dias e noites
Em que eu morrendo
No teu amor revivendo
A flor da aurora me disse
Que eu era teu namorado
Meu coração correu apressado
Beijou teus olhos risonhos
Em letras trançou teu nome
Em sentimentos se deu
Em mil palavras busquei
O simulacro da poesia
Para que o amor que nascia
Pudesse aquecer a flor
Mesmo nos tempos de inverno
Com o quentinho do amor
Nas tantas vezes que te sonhei
Nas outras vezes que te amei
Teus olhos juraram pra mim
Que onde mora a distância
Que onde mora a saudade
Florescem lindos jardins
Com flores de todas as cores
Rosas, negras, violetas,
Brancas, azuis e carmins
E um dia dissestes assim
“A orquídea tem meus amores
Por entre todas as flores
Me encanta sua beleza
Me enleva sua pureza”
Desde então, meu amor
Quando me pego tristonho
É na orquídea em teus olhos
Que espanto a minha tristeza
Quieto, calado e mudo
Vivendo a poesia
Que eu serenamente
Leio em seu corpo desnudo

Passos

Amor, esperar por ti é esta mesma aflição
Que a vida em nenhum momento esquece
Enquanto espero espalho horas pelo chão
A enganar o tempo antes que o tempo cesse
 
Nas horas douradas quando vai-se a tarde
E por trás dos montes a noite se avizinha
Meu coração louco e bêbado de saudade
Busca o ninho onde tua Alma se aninha
 
No céu onde desponta a estrela primeira
Tonto, o meu amor sonha o teu beijo
Quando os olhos se me cerram de desejo
 
Na noite que vem cheirando a flor de laranjeira
Anda o meu amor a procurar-te nos caminhos
No andar torpe dos meus passos tão sozinhos

O que é que eu posso te dar

Amor, diz pra mim...
O que é que eu posso te dar ?
O cheiro do sol da manhã?
A linda flor que é te amar?
Um ramalhete de beijos?
O pleno vôo no ar?
Um frasco com mil desejos?
Um gênio pra te agradar?
A estrela que cai dormente?
As ondas que fazem o mar?
O último raio de sol?
As nuvens pra você brincar?
Uma ninhada de sonhos?
Uma canção de ninar?
O sorriso terno e solto?
Uma rede pra se embalar?
Um arco-íris em sete cores?
A prece que está no ar?
Os sonhos que velam as noites?
Um beijo bem devagar?
Um abraço? Um aconchego?
A noite  pra namorar?
Um carrossel de parquinho?
Outra vida, mais singular?
Carlitos em preto e branco?
Um bolero pra você dançar?
Uma árvore pra te dar sombra
Com balanço pra balançar?
O meu amor moço e bobo
Bobinho pra te namorar?
Um ponto final nesta história
Pra que ela possa findar?
Então,  um beijo pra todos
Ponto final pra acabar
Acabou!!!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Quando você se foi

Estamos de novo em casa sem você
Eu e o meu coração
Eu e a minha ilusão
Eu e o meu amor que não se cansa de te amar
Eu e o sol que canta uma canção de verão no frio dia de inverno
Uma canção que quer te olhar
Uma canção para os meus olhos
Meus olhos estão postos em ti
Em ti e na nossa distância
Ouvindo cantigas do mar
O grande mar do segredo que leva você de mim
Meus olhos, que sem que lhes peçam, choram por ti
Naufrágos entregues sem céu, nem oceano
Minha emoção é uma espera incontida
Que dorme escutando a solidão
Meu amor é a gota de uma chuva prestes a cair
É a gota da lágrima que fica entre um ir e um vir
Meu amor é a vida buscando luz no teu dia
Buscando em teu seio o mistério da alegria
É a vida num pranto dorido chamando por ti
A vida chorou longamente quando você se foi
Eu vi os olhos inchados da vida
Os olhos vermelhos da vida
Eu vi a última lágrima que caiu antes dela dormir... cansada de chorar
Eu vi o sono profundo em que ela caiu por entre soluços
Quando a vida dormiu eu vi o amor sentado ao seu lado
Velando seu sono
Afagando sua cabeça
Beijando seu rosto molhado
Molhado de saudades
Deixando tanta dor na face clara da vida
Com seus olhos ternos o amor murmurou uma cantiga assim;

"Não chores bela criança
Que o sonho vem te acordar
Teu coração não se cansa
De ao mundo fazer amar

Não chores sopro Divino
A tristeza já vai embora
Teu coração é menino
Que para amar não tem hora"

O amor cantou, afagou e beijou a vida
Deitou-lhe os olhos cheios de doçura
Beijou-lhe as mãos pequeninas
Sentiu-lhe o corpo estremecer num soluço
Afagou-lhe os lábios como quem pede silêncio
A vida dormia um choro profundo
Dormia o choro do mundo
E o amor, cativo daquela dor, ao seu lado ficou
Só foi embora quando a despedida não podia mais esperar
E deste momento fez-se a saudade
E da saudade fez-se o meu fim
Amor, queria pedir-te uma coisa:
Não fica longe de mim!