quinta-feira, 21 de abril de 2011

Poema

Poema

Intérprete: Ney Matogrosso
Composição: Cazuza/Frejat

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

terça-feira, 5 de abril de 2011

Você vai ficando em mim

Você vai ficando em mim
Como uma doce lembrança
Como um olhar de criança
Descobrindo a flor no jardim

Como a chuva na terra
Como o sol no horizonte
Como a água na fonte
Como o perdão pra quem erra

Você vai ficando em mim
Como a onda no mar
Como o perfume no ar
Da linda flor do jasmim

Como o orvalho na folha
Como o beijo roubado
Como o desejo guardado
Como imagens numa bolha

Você vai ficando em mim
Como o amor revelado
Como o segredo velado
No teu batom carmesim

Como o abraço apertado
Como o arrepio na pele
Como o gostar que desvele
O êxtase de ser amado

Você vai ficando em mim
Como o aroma na rosa
Como na face formosa
Os olhos de um querubim

Como os anseios contidos
Como o afã verdadeiro
Como aguardar fevereiro
Para perder os sentidos

Você vai ficando em mim
Como as estrelas no céu
Como a nuvem ao léu
Como a cruz no marfim

Como o amor que semeia
Como os braços na cruz
Como o som que produz
O sangue na minha veia

Você vai ficando em mim
Como a tinta na tela
Como a luz de uma vela
Iluminando o meu fim

Como esse imenso sentir
Como esta saudade intensa
Como o amor que compensa
Toda esta dor de existir


Imagem: Olga Sinclair

Manhã

Queria que a tua manhã fosse Divina
Que Deus pusesse a paz entre os teus dedos
E o teu riso franco e doce de menina
Fosse maior e mais forte que teus medos

Queria que a lua acesa que à noite ilumina
Brincasse de esconder com teus segredos
E os teus sonhos, minha doce pequenina,
Brotassem belos como as flores nos rochedos

Queria que o dia fosse espiar na tua janela
Com seus olhinhos de candura, cor de anil
E ao te ver, menina, tão meiga e tão bela

Visse que és mais uma flor que se abriu
E encantado com o amor nos risos teus
Te recitasse em poesias aos pés de Deus

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Você

Um dia a vida te trouxe docemente
Flor que brotou no final da primavera
Que o vento terno a sonhar me dera
Em um amor tão meigo e tão presente

Um amor que fez da vida um sonho
Que me entregou na noite murmurante
O seu carinho em segredos de amante
Que fez do encontro um poema risonho

Deu-me os beijos roubados à ternura
Deu-me o afago ardente da sua mão
Deixou em mim este gosto de doçura

Ficou indelével na alma e no coração
Hoje no longe desta saudade infinda
Sinto a candura da tua alma tão linda

Imagem: Olga Sinclair

quarta-feira, 30 de março de 2011

Caminhos de cinza e pó

Meu coração calou-se longe do teu
Meu corpo sem o teu não amanhece
A luz do sol, distraída, já não aquece
A noite leva teu sonho de junto ao meu

A saudade encobre estrelas no firmamento
Tece lembranças confrangendo o céu escuro
Ri-se dos devaneios deste amor raro e puro
Chora as manhãs cúmplices deste sentimento

Longe de ti a vida é bruma soluçando aos ventos
Janela sem flor, amor sem par, noite sem lua
Solitários sonhos murmurando nossos momentos

Rota sem rumo, via errada, passos sem rua
Sem ti os dias são caminhos de cinza e pó
Por onde anda o amor, dorido, triste e só

domingo, 27 de março de 2011

Quem és tu?





Quem és tu, esta mulher, que se fez amor no amor?
Recriou os meus dias na canção doce da sua voz na qual me ouço, na qual me vejo, na qual reflito-me como eco
Meu coração esquecera-se do inadiável instante da brisa que vem do mar
Trazendo amor, trazendo o amar, trazendo a voz distante que veio me namorar
Quem és tu, esta mulher, que me olhou por entre a porta e os meus braços?
Por entre meus sonhos fadados a dormir meu sono antigo, a dormir os meus cansaços
Que veio trazendo em seus lábios o orvalho que colheu no primeiro som da manhã
Trouxe tanto sentimento, me olhou por uns momentos, depois me disse: Sou eu!
Sou eu que o amor te traz no beijo que a flor colheu, quando a manhã ainda nascia e o dia se incendiava no horizonte
Na manhã que a luz cingia escorrendo gota a gota entre as frestas dos vitrais
O meu amor ainda era apenas um pensamento de Deus
Um pensamento de Deus, nada mais
No olhar que a flor colheu, no beijo que o amor trouxe, meu corpo beijou teu corpo alvo
Na manhã que cheirava à flores, a cravo, rosa, lírio e jasmim
A lágrima, da qual pendia o dia, se desfez na eterna manhã cheirando à rosa, cravo, lírio e jasmim
Ouvi teus olhos dizendo-me coisas lindas, leves, suaves
Olhei teu vulto a flanar a tua alvura como uma manhã onde o sol principiara
Um sol crepuscular a aquecer as nossas peles
Esquecido o sol, esquecida a flor, esquecido o dia
Teu corpo ao meu amor se deu
Meu corpo, como o encanto de outrora, calou-se ante a tua alvura de luar
Amou-te como as tuas mãos e os teus seios e o teu ventre e o teu sexo lhe dizia
Ouviu o silêncio transparente da canção cantada ao longe, tão longe quanto podia
Velou o cansaço que o amor impôs aos nossos olhos na tarde flutuando num céu dormente
Dorme, meu amor, dorme que a poesia presente no amor será de nós dois
Dorme, meu amor, dorme que o sonho que te trouxe pra mim agora não podia deixar pra depois
Amor, velo por ti
Amor, quem és tu...?
Quem és tu, esta mulher, que se fez amor no amor?
E o amor não foi mais que esta ingênua carícia que me beijou
Este olhar que confundiu-se com o meu na tarde alegre que se estendeu lânguida ao longo do corpo do dia
Nos meus braços tu dormias
No meu corpo tu ficaras
Como a indelével tatuagem feita em suor, feita em gozo, feita em voláteis aromas da rosa do amor, as rosas dos madrigais
Na tarde alegre e lânguida nada havia pelo mundo a não ser a luz do dia ninando eu e você
E mais um beijo que passava quando a tarde entrava a dormir em seu passado fingindo que não havia no mundo nada além de eu e você
O beijo, senhor cativo, do nosso amor se enterneceu e beirando os precipícios, antevendo o esboço da noite na tarde que ia se apagando, na tarde que em si morreu, vincou a cor da saudade, roçou a voz da verdade e nos beirais da noite também ele adormeceu
A lua, tão sozinha a brilhar no céu sua solidão, só não era mais sozinha que a funda escuridão
Na noite brilhando entre as estrelas
O sono se desprendeu de mim
Traçou no céu o inicio da poesia
Que perguntava assim
Quem és tu, esta mulher, que se fez amor no amor?
Quem és tu, este amor, que se fez poesia em mim?



terça-feira, 22 de março de 2011

Me beija...




No teu amor eu hei de mergulhar em vagas ondas onde o mar em espuma se descerra.

No acalanto bom do teu calor hei de brincar com a vida.

Hei de cantar as cantigas que em meu corpo ainda vibram.

Canta, amor, canta comigo o calafrio que percorre meu corpo quando o meu corpo desfalece junto ao teu.

Canta, amor, canta comigo a cantiga da noite amena onde não sei te dizer não.

Canta comigo a canção que este amor entoa desvairado de ilusão. 

Entre as canções hei de beijar-te enquanto a nuvem que passa nos encobre dos olhos bisbilhoteiros do engodo.

Amor, dá-me as tuas mãos enquanto te amo.

Minhas mãos enlaçam as tuas como se o amor pudesse fugir a qualquer momento.

Meu abraço sente a delicadeza da tua cintura e o desenho do teu corpo quando te enlaço e o momento  diz que tu és minha menina.

Beija a minha boca, amor, enquanto meu corpo beija o teu e bebe o teu e se desfaz no teu e se recompõe nas nossas palavras de amor.

Amor, me beija...

Me beija e deixa o teu gosto em mim.

Deixa o teu gosto morando em minhas entranhas.

Deixa o teu gosto em mim para eu não morrer deste amor.

Deixa o teu gosto em mim para que eu te sinta nas noites que me alucinam quando estou longe de ti.

Me beija... amor! Só me beija! Me beija... Me beija... beija... beija... beija...