sábado, 17 de novembro de 2012

A rosa amarela do dia

A rosa amarela do dia
desliza na manhã 
de um mundo velho,
vago,
sequioso
O amor não é poesia
no velho mundo abstraído
O amor é folha de
outono,
adeus,
passos de nuvens,
rumo aos teus olhos
negros
O céu, roçando o mar,
tece arco-íris
na poeira úmida
das cores condensadas
na miragem das praias
à deriva
Os ventos balançam
as folhas laceradas
por este inverno
de horas melancólicas
A um canto
há um grito
que ao meu canto
desvirtua num fragor
plangente

Vi a rosa amarela do dia
deslizando na manhã
por entre os morros
dispersos ao longo
da vida que desliza
sob conceitos e
palavras sem nome
Tudo caminhando
lentamente
Perpassando a manhã
o som de um sino dobra,
circunspecto,
embebendo os olhos
e apascentando corações

Um sol, recriado no lago,
arde em chispas
ao murmúrio das águas
A brisa azul esvoaça
o amarelo do dia
Cores a desdobrarem-se
na onda turva e reflexa
no som cambiante,
nas sombras difusas
que acordam encharcadas
                 da tua ausência
                    do meu exílio
                         e ébrias de
                            [solidão]


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