quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Agora

agora
igual a primeira hora
do primeiro tempo
do instante que faz o presente
translúcido
da vida que me devora
do tempo inefável
rabiscando sempre a primeira página
deste livro de deleitosas palavras
de ásperos e obscenos grafismos
palavras castas e tristes
cativas de si mesmas
tímidas
flertando, acanhadas, com o
não
estas palavras
que nos escuros se acendem
fogo-fátuo
agonia
palavras desta tristeza ardente
aguda senhora que vive
e morre
nos versos
nos livros
nas pétalas das rosas
na fria adaga do espinho
no dias indistintos
palavras frágeis
pequenas
doídas
solitárias
como uma sombra num lago
agora
com as nossas letras disjuntas
por entre o sonho e a razão
febrilmente escorre a minha mão
escrevendo na minha vida incendiada
adeus
saudade
(...)
solidão

Nenhum comentário:

Postar um comentário