sábado, 26 de maio de 2012

Tudo em quase nada

O tempo doeu por entre o silêncio que ficou em quase tudo
Doeu por entre os sonhos que nem chegaram a despertar
E os meus olhos, por uns tempos, só viram você
onde você não estava
A tua voz macia ficou indelével em minhas noites
da ilusão à acusação,
ao desprezo que se uniu aos meus dias
Alguns poemas ainda caem do teu retrato
lentamente
antes que eu possa escrevê-los
Rabiscos de solidão
Tudo entre nós foi tão velho
A velha imagem no espelho
A velha mão flutuante que não tocou o teu rosto
que passou tão longe da tua alma
gestos gastos
vagos gestos
O velho roteiro roto
Os olhos cansados que te procuravam
para não deixar de ver o meu amor
e a fantasia partindo-se ao meio
A língua lambendo o acaso
experimentando o gosto da lágrima
que vem cavoucar meu passado
vem desmentir minhas verdades
e meus sentimentos de(s)feitos
E diante do meu medo intrínseco e cego
não te peço nada
Apenas esquecimento
no exato momento
em que você é somente
todas estas mulheres no espelho
e eu sou os tantos outros homens que você não conheceu
E perdemos tudo
até a possibilidade da amizade
de se emocionar com os dias que passaram,

loas aos ventos que nunca sopram sozinhos 
Perdemos a possiblidade do carinho
Hoje, quando a noite dorme e o silêncio retoma a velha canção,
eu me escondo em palavras,
viro a página do livro e das lembranças
e dia após dia
tento transfomar adeus em poesia

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